Santa Catarina é o estado mais longevo do Brasil — quem completa 65 anos por aqui tem expectativa de viver até os 87 anos, acima da média nacional. Para a pré-candidata a deputada federal Ana Cecília Sirino, esse recorde de longevidade não pode ser tratado como estatística: precisa virar política pública.
“Não dá para tratar a longevidade como assunto de segunda linha em um estado onde envelhecer bem é praticamente uma vocação regional. Isso precisa virar efetividade — não só letra de lei”, afirma Ana.
A fraude que expôs a fragilidade financeira do idoso
O ponto de partida da pauta é um episódio recente: pelo menos 9 milhões de aposentados e pensionistas sofreram descontos indevidos em seus benefícios, cobrados por associações sem autorização válida. Ainda, vazamentos de dados dos idosos por entidades públicas e financeiras.
“Como advogada, atendi famílias inteiras tentando entender por que a aposentadoria do pai ou da mãe vinha menor todo mês. É um crime silencioso, que se aproveita da confiança e da menor familiaridade do idoso com extratos e aplicativos bancários”, explica Ana.
Golpes digitais: o novo risco
Pesquisa da Fundação Seade em São Paulo mostrou que 82% dos idosos já sofreram tentativas de golpes virtuais por mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas. Os golpes mais recorrentes envolvem falsos empréstimos consignados e criminosos que se passam por familiares. Um dado chama atenção: quase 80% dos casos de violência patrimonial contra idosos são denunciados por terceiros, não pela própria vítima — sinal de que a rede de proteção precisa agir de forma preventiva.

A proposta de Ana Cecília Sirino
A pré-candidata defende três frentes prioritárias caso eleita:
- Desburocratização do ressarcimento e da denúncia — agilizar a via administrativa de reparação de fraudes previdenciárias, reduzindo a necessidade de judicialização em casos simples e recorrentes;
- Rede de proteção patrimonial preventiva — articulação entre bancos, cartórios e Judiciário para sinalizar movimentações financeiras atípicas em contas de idosos;
- Interiorização dos cuidados de longa duração — levar centros-dia e atendimento domiciliar também aos municípios do interior catarinense, para que a longevidade recorde de Santa Catarina não vire fardo exclusivo das famílias.
O voto do idoso como instrumento de transformação
Para Ana, a proteção jurídica do idoso catarinense caminha lado a lado com a mobilização política desse eleitorado.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o número de eleitores com mais de 70 anos em Santa Catarina cresceu 24% entre 2016 e 2020, alcançando mais de 414 mil pessoas — o equivalente a 8% de todo o eleitorado do Estado naquele pleito. Mesmo dispensada da obrigatoriedade do voto a partir dessa idade, é justamente essa faixa etária que mantém, historicamente, um dos maiores índices de comparecimento às urnas, o que reforça o peso crescente da terceira idade na disputa por representatividade em Santa Catarina.
“O idoso não deve enxergar o voto apenas como um direito facultativo, mas como instrumento legítimo de pressão por políticas efetivas de proteção e cuidado. Quando esse eleitorado comparece às urnas de forma consciente e organizada, ele muda a pauta do Congresso Nacional — e é justamente essa mobilização que pretendo estimular como candidata”, afirma Ana.
“Defendo que Santa Catarina, por ser o estado que mais envelhece bem no Brasil, deveria ser vitrine nacional de política de cuidado ao idoso — não apenas estatística de longevidade”, conclui Ana.