Menu Lange
Menu Direita

Atleta do futsal amador faxinalense conta os desafios de ser mulher neste meio

Lance Notícias | Comunidade , Esporte , Faxinal dos Guedes | 03/07/2019 15:15
Atleta do futsal amador faxinalense conta os desafios de ser mulher neste meio 4
Compartilhar no Whatsapp
Visualizações: 4778

Daniela Alves de Quadra Toledo, de 26 anos, não sabe precisar exatamente quando iniciou na carreira como jogadora de futsal. No início, ela improvisava bolas com as cabeças das bonecas que tinha.

Depois, com seis anos, começou a frequentar uma escolinha de futsal no Distrito de Barra Grande, interior de Faxinal dos Guedes. Daniela treinava com os meninos, pois não tinha meninas jogando.

– Comecei pequeninha com o amor pelo esporte. Quando não tinha bola, tirava a cabeça das minhas bonecas para jogar. Quando cresci um pouco, comecei a treinar com o professor Honey Paludo, no meio dos meninos, pois não tinham outras meninas, mas sempre fui me destacando no esporte – conta.

Dani, como é conhecida, conta que passava boa parte dos seus dias no ginásio, sem batendo bola, e, com isso, foi se aperfeiçoando. Depois, quando atingiu a idade, começou a participar de competições como a Olesc, Joguinhos Escolares, Moleque Bom de Bola.

– Na primeira Olesc que participei, a equipe de Faxinal dos Guedes ficou em quarto lugar, mas como só os três primeiros garantiam vaga, ficamos de fora do estadual. No final da competição meu professor, o Ney, me falou que três equipes gostaram de me ver jogar e me queriam em sua equipe para a próxima fase. Isso me deixou muito feliz naquele momento – frisa.

Nessa competição, os times de Itá, Passos Maia e Xavantina queriam Dani em seu time e ela escolheu representar Itá no restante da competição. Foi a partir daí que ela começou a participar de diversas competições, representando diversos municípios. E, com isso, Dani acumulou diversos troféus e medalhas em competições escolares representando Faxinal e os municípios.

O primeiro troféu veio aos 12 anos. Dentre os troféus, Dani coleciona alguns de jogadora destaque, artilheira e tem mais de 100 medalhas guardadas. Os troféus de artilharia são por conta da posição de Dani, que é atacante.

Carreira

Hoje, após passar por diversas equipes, ela representa Faxinal dos Guedes nos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) e também joga em um time de futebol suíço de Xaxim.

Ela conta que, por conta da idade, não é mais possível que consiga jogar em alguma outra equipe. Além disso, ela destaca que, quando era pequena, não teve oportunidade como os meninos da sua idade tinham.

– Agora já passei da idade para ir para outros clubes e tentar uma carreira maior e quando era pequena e tinha idade para participar, não tive oportunidades e investimento. As coisas eram complicadas. Não tinha escolinha que treinasse meninas, mas agora continuarei jogando como amadora até quando conseguir – destaca.

 

Reconhecimento e diferença de gênero

Dani destaca que, estando no meio esportivo, percebe a grande diferença que há entre o futsal feminino e masculino, principalmente quanto ao reconhecimento, oportunidades e remuneração.

– Para meninos, tem escolinha em todo lugar, vários testes para todas as idades. Na minha época, não tinham nem escolinhas e muito menos testes, então as chances eram mínimas de seguir nessa carreira, não tinha oportunidade –comenta.

Agora, com a exigência de que os times do Brasileirão tenham também times femininos, Dani acredita que seja uma forma para que o futebol e futsal femininos tenham mais reconhecimento.

– Apesar de ser ainda pouco incentivo, hoje elas têm isso, eu não tive nada. Mas, acredito que agora terão mais oportunidades. Mas, mesmo assim, a diferença entre os gêneros ainda é muito grande, pois a maioria das mulheres precisa manter outro emprego, além de jogar, porque o salário é muito baixo, em relação aos homens na mesma carreira – pontua.

 

Incentivo e preconceito

A atleta conta que sempre teve o apoio e incentivo da família, principalmente do pai, que sempre foi apaixonado por futebol. Segundo ela, a mãe sempre foi mais preocupada, mas nunca a privou de nada.

– Meu pai sempre adorou futebol e me apoiou desde o início. Minha mãe tinha um pouco mais de preocupação, principalmente quando me machuco, mas nunca me proibiu e sempre me ajudou com o que eu precisava para jogar – salienta.

Quando ao preconceito, Dani conta que nunca sofreu com ele diretamente, mas já viu e ouviu diversas situações e comentários a respeito, mas sempre passou por cima disso para seguir fazendo o que gosta.

– Não sofri preconceito diretamente, mas ouvia muita gente falando que mulher que jogava bola era lésbica, meninas que os pais não deixavam jogar, diziam que não era coisa para menina, mas segui fazendo o que eu gosto e vou continuar até quando aguentar – conclui.

Deixe seu comentário

Acesse nosso grupo de notícias