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Agricultora concretiza sonho de empreender aos 60 anos de idade

Patrícia Silva | Comunidade | 31/07/2020 14:58
Agricultora concretiza sonho de empreender aos 60 anos de idade A empreendedora Iraci Rodrigues Zanchet com alguns de seus produtos (Crédito Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Abelardo Luz).
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Proativo, persistente, assume riscos calculados, busca qualidade e eficiência, avalia o mercado, planeja e monitora resultados, transmite confiança e é determinado. Essas são algumas das características dos empreendedores, mas será que há uma idade adequada para ter seu próprio negócio? A resposta para esse questionamento vem do exemplo da empreendedora Iraci Rodrigues Zanchet, de 60 anos, que junto com sua família iniciou neste ano as atividades da Agroluz Agroindústria Familiar Rural, situada no Assentamento Papuã II no município de Abelardo Luz, no oeste catarinense.

Com uma trajetória marcada pela determinação e pela busca de oportunidades para proporcionar qualidade de vida à família, Iraci realizou várias atividades ao longo da vida para complementar a renda familiar e valorizar os itens produzidos na propriedade rural. Queijo, leite e mel foram os primeiros itens comercializados seguidos de pães, bolachas e quitutes.

– Sempre fui agricultora, cresci no campo e desde a infância cozinhar é o meu momento de criar. A comida sempre nos lembra de pessoas queridas e de memórias afetivas com sabor – relembra.

A segunda experiência de empreender veio a partir da Lei do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), em 2006, que incentivava as famílias rurais a produzirem alimentos para as escolas.

– Eu e um grupo de vizinhas começamos a produzir bolachas para a merenda escolar. Nosso grupo foi firme e forte até 2012, porém alguns motivos levaram à desarticulação e a produção paralisou. Fiquei bem chateada naquele momento porque a atividade ajudava nas despesas da casa e na renda das famílias do grupo. Mas, enfim, a vida precisa prosseguir e voltamos nossa força familiar para a produção de leite e fumo – relata.

A família enfrentou desafios e momentos difíceis tanto na agricultura quanto na saúde e repensou a maneira de viver no campo.

– Eu e meu esposo já velhos e nossos filhos não podiam mais usar os produtos da lavoura. Foi quanto renasceu o desejo de fazer algo diferente. Tinha a experiência de produzir para a merenda escolar e sabia que precisa me adequar às normais atuais. Fui buscar ajuda na Epagri e naquele dia vi a esperança ressurgir e que podia realizar meu sonho – comenta.

A família Zanchet começou a elaborar os orçamentos, projetos e cálculos para os investimentos necessários. Com apoio dos técnicos da Epagri e dedicação do filho foi possível desenhar a produção da agroindústria. Em janeiro deste ano iniciaram a reforma de uma estrutura na propriedade e com os recursos liberados pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) compraram os equipamentos para a empresa familiar. Com a estrutura pronta, várias pessoas auxiliaram na divulgação dos produtos.

Para a definição do nome da empresa a família contou com a colaboração da Sala do Empreendedor de Abelardo Luz – que faz parte do Programa Cidade Empreendedora, executado pela Administração e pelo Sebrae/SC.

– A princípio seria Família Zanchet, mas as formações nos levaram a pesquisar na Junta Comercial e percebemos que tem muito Zanchet como agroindústria no Estado. Envolvemos toda a família, com sugestões de nomes, até que surgiu Agroluz. A sugestão faz referência à nossa terra, nossas raízes e também uma nova forma de produzir – explica.

A agroindústria familiar produz pão caseiro com fermentação natural (trigo, centeio, integral, cabotiá, abóbora, cenoura, beterraba, espinafre), pão cinco grãos, cucas sem recheio e recheadas, bolachas caseiras (milho, coco e manteiga), agnolines (frango, gado, queijo e vegetais), massas, chimias, geleias e doces, melado fresco, extrato de tomate com polpa da fruta, molho de tomate (vinagrete), tortei, pizza e mini pizza e salgados (recheios de frango, gado, queijo e vegetais).

– Nossa maior produção é de pães com fermentação natural, pois essa receita está na família há muitos anos. Nossos pães são conhecidos pela diversidade de sabores, como cobotiá, grãos, cenoura, espinafre e batata inhame. Usamos o que a terra nos oferta como presente e junto ao trigo transformamos. As nossas geleias são de frutas frescas colhidas no pomar. Também ofertamos aos visitantes um café colonial típico do campo com toda a fartura e abundância do trigo e todo o doce suculento das frutas em forma de geleias – comenta a empreendedora.

Iraci ressalta que pelo fato da agroindústria estar localizada no assentamento é uma conquista importante para a região.

– Ainda somos poucos empreendedores e temos um grande potencial de produção. Acreditamos que quando uma família do campo se estrutura financeiramente é a certeza de que não haverá êxodo rural, despertando em outros a vontade de crescer na terra – afirma. A intenção da família é ampliar as entregas dos produtos para mais localidades, aumentar a produção proporcionando desenvolvimento para a comunidade, gerando emprego e renda para as famílias.

A agroindústria tem utilizado a tecnologia a seu favor. Os moradores da área urbana fazem seus pedidos pelo WhatsApp durante a semana e as entregas são feitas aos sábados. As solicitações podem ser feitas pelos telefones (49) 9 8831-8813 e (49) 9 9150-4000.

Sala do Empreendedor

A Sala do Empreendedor de Abelardo Luz, situada no prédio da Prefeitura, é um espaço de contato permanente e direto entre o Poder Público e os empresários. Além do auxílio burocrático, o serviço busca agregar outras agendas estratégicas para o desenvolvimento do município. Também no local, o empresário tem acesso às oportunidades de capacitação e consultorias sobre os mais diversos aspectos que envolvem a formalização dos negócios.

Informações sobre os serviços prestados podem ser obtidos com o atendente da Sala do Empreendedor, Saimon Negretto, pelos telefones (49) 98400-2705 ou (49) 99978-7738.

 

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